Split payment na reforma tributária: o impacto no fluxo de caixa das fintechs

Tempo de leitura: 4 minutos

A Reforma Tributária mudou a forma como os tributos são pagos e recolhidos no Brasil. E um dos principais mecanismos dessa mudança é o split payment.

Na prática, com esse novo método, o valor pago pelo cliente será dividido já no momento da liquidação; com parte dos tributos destinada diretamente à Receita Federal, e o restante sendo repassado ao estabelecimento

Essa mudança afeta diretamente a operação de fintechs e instituições financeiras

Que precisarão adaptar sistemas de autorização, liquidação, conciliação e repasse. Isso porque, hoje, a empresa recebe o valor total da venda e faz o recolhimento dos tributos posteriormente. Com isso, podem surgir ainda impactos no fluxo de caixa, na liquidez e na necessidade de capital de giro.

Ou seja, o split payment não é apenas uma mudança tributária. Para as fintechs, ele também exige adaptações tecnológicas e financeiras.

Continue a leitura e saiba mais!

O que é o split payment e qual o seu impacto?

O split payment, ou pagamento dividido, é um dos mecanismos da Nova Reforma Tributária. Na prática, ele determina que o tributo devido seja retido automaticamente no momento em que o pagamento acontecer, sendo direcionado ao Fisco, antes mesmo de o valor chegar ao vendedor.

Essa mudança está diretamente ligada à criação do IVA dual brasileiro, formado pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que substituirão tributos como ICMS e ISS ao longo do período de transição. O objetivo declarado é dar mais eficiência à arrecadação, reduzindo a sonegação e simplificando o compliance tributário das empresas.

Mas, para o ecossistema de meios de pagamento, o split payment representa também uma mudança estrutural no papel que as fintechs, os adquirentes e os bancos exercem na cadeia de recolhimento de impostos no país.

Equipe de operações financeiras revisando fluxo de caixa, pós cronograma da Reforma Tributária, em reunião.

Como o mecanismo muda a liquidação das fintechs?

Até então, o fluxo de uma transação de cartão seguia uma lógica relativamente simples: o valor era processado pela adquirente, descontadas as taxas de intermediação, e repassado ao lojista dentro do prazo contratado

Com o split payment, esse fluxo ganha uma nova etapa.

Agora, no momento da transação, o sistema já segmenta o valor correspondente ao tributo e o encaminha para o Comitê Gestor do IBS ou para a Receita Federal.

Isso significa que fintechs e instituições financeiras deixam de atuar apenas como processadoras de pagamento e passam a ser peças ativas da arrecadação, com responsabilidades adicionais de retenção e repasse no pagamento.

Essa mudança também aumenta a fiscalização sobre o setor, com regras mais rígidas de governança e sanções administrativas em casos de não conformidade. 

Impactos diretos no fluxo de caixa das fintechs

Como o tributo passa a ser retido antes da liquidação, o valor disponível para o lojista tende a chegar de forma diferente do que o mercado está acostumado.

Esse efeito é sentido com mais força por fintechs de crédito e por pequenas e médias empresas, que dependem da previsibilidade do recebível para sustentar operações de crédito como antecipação de recebíveis e capital de giro.

Ao mesmo tempo, o cenário abre espaço para novas oportunidades de negócio. 

Fintechs que conseguirem se adaptar rapidamente ao novo modelo de liquidação podem se posicionar como parceiras estratégicas de lojistas e adquirentes na gestão desse novo fluxo tributário, criando produtos de crédito e conciliação financeira desenhados especificamente para a era do split payment.

Como fintechs e meios de pagamento podem se preparar?

A adaptação ao split payment exige investimento em tecnologia e em governança, dois pontos que devem estar no radar de qualquer área de compliance, produto ou finanças do setor de meios de pagamento. 

Entre os principais movimentos recomendados, estão:

  • Revisar e repensar a infraestrutura de liquidação para suportar a segmentação e o repasse automático de tributos na transação;
  • Atualizar contratos e SLAs com lojistas, deixando claro o novo repasse;
  • Reforçar os controles de compliance para reduzir riscos e sanções;
  • Reavaliar produtos e linhas de crédito baseados em fluxo de vendas.

Além de, é claro, acompanhar de perto o cronograma de implementação da Reforma Tributária e as novas normas do Banco Central sobre o tema.

Afinal de contas, o período de transição da Reforma ainda está em curso, o que significa que as regras sobre split payment continuarão sendo detalhadas nos próximos meses. E entender o mecanismo agora é o que vai diferenciar as fintechs que se anteciparão às mudanças daquelas que vão apenas reagir a elas.

Ou seja, para quem já trabalha ou pretende atuar com fintechs, payments e criptoativos, entender a fundo esse e outros mecanismos da Reforma Tributária é, hoje, um diferencial competitivo e essencial no mercado financeiro.

Conheça nosso Programa de Reforma Tributária para Fintechs, Payments e Criptoativos e aprofunde-se nos impactos práticos da Reforma para o setor.

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Última atualização: Agosto de 2022
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