Os pedidos de recuperação judicial das Casas Bahia, Marabraz e Habib’s chamaram a atenção para os desafios financeiros enfrentados pelas empresas, em especial no varejo.
O Grupo Casas Bahia entrou com requerimento para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas envolvendo cerca de 28 mil credores. A companhia também anunciou uma reestruturação que inclui o fechamento de 298 lojas.
A Marabraz recorreu à Justiça para renegociar cerca de R$ 140 milhões e o Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, pediu recuperação judicial para reestruturar uma dívida de R$ 265,2 milhões.
Os casos são diferentes, mas deixam uma pergunta em comum: quando a recuperação judicial chega, em que momento a crise realmente começou? O pedido de recuperação judicial torna pública uma situação que, em geral, já vinha sendo construída.
Deterioração do caixa, aumento do endividamento, perda de margem, decisões de expansão, dificuldade de acesso a crédito, problemas operacionais e conflitos societários podem se combinar até comprometer a capacidade de uma empresa de honrar seus compromissos.
Por isso, é um grande desafio entender o motivo das empresas chegarem nessa situação e se os sinais poderiam ter sido identificados antes. É aí que entra a governança.
A boa governança não elimina riscos. Empresas bem administradas também enfrentam juros altos, mudanças no consumo, concorrência, transformações tecnológicas e crises inesperadas.
A diferença está na capacidade de enxergar esses riscos, medir seus impactos e tomar decisões antes que eles se acumulem.
A governança, nesse sentido, não é apenas uma estrutura de conselhos, regras e processos. É também uma forma de fazer perguntas difíceis enquanto ainda existe tempo para respondê-las: o caixa está saudável? O endividamento é sustentável? A estratégia de crescimento ainda faz sentido? Os riscos estão sendo discutidos? A administração tem informação suficiente para decidir?
Quanto mais cedo essas perguntas aparecem na mesa, maior tende a ser o espaço para agir.
Conhecimento também é uma ferramenta de prevenção
Em um ambiente de negócios cada vez mais complexo, acompanhar o mercado não significa apenas saber o que está acontecendo. É preciso desenvolver capacidade para interpretar o que os números, os indicadores e os movimentos do mercado estão dizendo.
Para contadores, administradores, profissionais de finanças, peritos, gestores e executivos, isso significa ampliar o repertório para identificar riscos, compreender processos de recuperação e falência e tomar decisões diante de situações de crise.
É justamente nessa interseção entre conhecimento e prática que alguns dos conteúdos publicados pela Trevisan Editora ganham relevância.
Para entender a crise, antes e depois dela
Em Recuperação judicial de empresas médias e pequenas: guia prático para o credor e o devedor, Julio Cesar Teixeira de Siqueira parte de uma questão que dialoga diretamente com o cenário atual: a identificação da crise. A obra destaca que muitas empresas recorrem à lei de forma tardia, quando a operação já perdeu viabilidade ou o patrimônio pessoal dos sócios já está comprometido.
Já Recuperação de Empresas em Tempos de Crise, de Eduardo Boniolo e Julio Cesar Teixeira de Siqueira, discute as causas e os efeitos da crise, as alternativas de recuperação e os riscos e benefícios de cada caminho, incluindo um estudo de caso real.
E há uma razão para esse conhecimento interessar a profissionais de diferentes áreas: uma empresa em crise não envolve apenas seus números. Envolve credores, funcionários, fornecedores, sócios, clientes e outros stakeholders.
Para aprofundar
A Trevisan Editora também publicou os livros Perícia em falências e recuperação judicial e O papel do contador na recuperação judicial e na falência, ampliando a discussão para diferentes perfis de organizações.
Na formação executiva, temas como esses aparecem em programas voltados ao desenvolvimento de competências para situações reais de negócios, como o MBA em Perícia Contábil e Financeira e o curso Gerenciamento de Crise e Relação com Stakeholders.
Uma crise empresarial pode chegar ao Judiciário. Mas a capacidade de reconhecê-la, compreendê-la e reagir a tempo começa muito antes.