Vale a pena ter um crescimento meteórico na carreira?

A economia do país desacelerou e o mercado de trabalho também, mas ainda há oportunidades de crescimento acelerado. A questão é: você assume o risco?

Sucesso no crescimento profissional: para Pedro Lima, da Arcon, é preciso ter conhecimento técnico e formação para crescer. O mercado de trabalho cresceu em 2012, mas em uma velocidade inferior à dos últimos dois anos. No primeiro semestre deste ano, foram criados 1,04 milhão de empregos com carteira assinada.

O número representa uma queda de 26% ante o mesmo período do ano passado, quando foram abertas 1,41 milhão de vagas. as empresas diminuíram o ritmo das contratações sem interromper projetos de expansão dos negócios.

Para não encarecer a folha de pagamento em um período mais duro, os empregadores optaram por promover pessoas internamente a contratar do mercado.

Das 150 companhias vencedoras neste ano do Guia Você S/A – As Melhores Empresas para Você Trabalhar, 69% têm mecanismos de recrutamento interno.

“Ainda há espaço para crescimento acelerado, mas é preciso cuidados para manter-se no cargo”, diz Telma Guido, coordenadora de transição de carreira da empresa Right Management, de recolocação de executivos, de São Paulo.

Hora da decolagem – situações em que a promoção pode ser rápida

Escassez de pessoal qualificado

Ponto fraco das empresas brasileiras, a falta de profissionais qualificados está por trás de grande parte das promoções que ocorreram este ano.

“Hoje, esse é o principal fator de aceleração de carreira”, diz Olavo Furtado, coordenador de pós-graduação e MBA da Trevisan Escola de Negócios, de São Paulo.

O Brasil é o segundo país com maior dificuldade de preencher vagas, segundo pesquisa do ManpowerGroup feita com 38 000 empregadores de 41 países – 71% das empresas brasileiras têm problemas para encontrar profissionais, ante uma média global de 34%.

Para superar esse obstáculo, as companhias investem em formação da mão de obra interna. É daí que vêm os programas de trainee, a retenção de funcionários aposentados e a preparação de sucessores. Para se dar bem: Mostre suas qualidades e seu potencial para ocupar cargos importantes.

“O profissional precisa se fazer presente e estar disponível para tocar projetos que estão parados por falta de mão de obra”, diz Telma, da Right Management. Cuidado: Não saia atirando no escuro.

Escolha um projeto em que possa contribuir efetivamente e se destacar. Caso contrário, o efeito será inverso. “Para uma promoção contam fatores como comportamento e competências específicas”, diz Telma.

Cargos maiores em pequenas empresas

A mudança para um negócio de menor porte pode acelerar a ascensão de um profissional a um cargo maior. Um movimento de carreira comum atualmente entre executivos é deixar grandes companhias para assumir posições mais altas em pequenas e médias empresas – em que a concorrência é menor.

Essa movimentação tem ocorrido com maior frequência nos setores de infraestrutura e serviços, que estão entre os que mais abriram vagas neste ano. Para se dar bem: Prefira empresas pequenas e médias com gestão profissional.

As companhias administradas por família têm, em geral, gestão complicada e centralizada. Cuidado: Há dois riscos envolvidos nesse movimento. O primeiro é a soberba: profissionais que chegam ao novo emprego achando que são melhores porque vieram de uma grande companhia.

“Muitos executivos agora precisam se reinventar profissionalmente”, diz Marcus Soares, do Insper, escola de negócios de São Paulo. Outro problema é a falta de perspectivas para continuar crescendo após a mudança. Em negócios menores, o número de cargos de direção é diminuto. Uma segunda promoção pode demorar a ocorrer.

Crescimento nos negócios

Companhias em expansão são uma oportunidade de crescimento quando novas unidades de negócios e cargos estão sendo criados – a preferência é ocupar as novas vagas com os funcionários.

“Passei de gerente a diretor em menos de um ano”, diz Pedro Ivo Lima, de 32 anos, diretor comercial na Arcon, de tecnologia, de São Paulo. “Mas é preciso conhecimento e formação adequados para a vaga.”

Para se dar bem: Analise a nova área como se ela fosse um novo negócio sendo aberto. Quais são as chances de sucesso? É uma proposta sustentável? É uma aposta arriscada?

Cuidado: Essas respostas indicam se vale a pena aceitar a promoção ou, em caso de fracasso do negócio, negociar uma volta. “Expansões desorganizadas levam a sobrecarga de trabalho”, diz Olavo Furtado, da Trevisan .

Contraproposta para reter

A disputa das empresas por profissionais pode diminuir o número de degraus para se chegar ao topo. Para não perder um profissional que recebeu um convite de trabalho, muitas companhias oferecem um cargo maior para convencê-lo a ficar.

“Criam-se cargos e abrem-se novas oportunidades para que as pessoas subam na carreira e fiquem nas empresas”, afirma Olavo Chiaradia, diretor da área de informações sobre remuneração do Hay Group, consultoria de recursos humanos, de São Paulo.

Algumas áreas sofrem mais com essa situação e aceleram as carreiras dos funcionários para evitar buracos em seus quadros. É o caso de setores como o de tecnologia, bancário, engenharia e construção civil.

Para se dar bem: Avalie com cuidado em que situação a contraproposta deve ser aceita. Se não estiver seguro, opte pelo emprego novo. Cuidado: A contraproposta tem dois riscos embutidos.

Um é a empresa se arrepender de ter feito a contraproposta e descartar o profissional meses depois. O outro risco é ser promovido precocemente e não entregar resultados, que dependem de uma maturidade mínima para o cargo. “O profissional corre o risco de retroceder na carreira”, diz Telma Guido, da Right Management.

Revista Exame On line
13/03/2013