Notícias

Concessão? Entenda o atual cenário do Pacaembu e o que pode acontecer

Publicado em: 10/04/2018
Via Lance!

A possibilidade de concessão do Pacaembu à iniciativa privada voltou ao centro das atenções nos últimos dias, após queda de luz que paralisou o clássico entre Santos e Corinthians por 49 minutos. Outras quatro quedas na energia elétrica já tinham atingido o estádio durante jogos neste ano.

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), torcedor do Santos, estava no Pacaembu no clássico contra o Corinthians e menos de 24 horas após o duelo gravou um vídeo defendendo a concessão do estádio, ação prometida em sua campanha eleitoral e aprovada pela Câmara Municipal em agosto do ano passado: "O estádio tem 78 anos e precisa ser modernizado, precisa de tecnologia e muitos investimentos, inclusive para evitar os apagões de luz que infelizmente acontecem nesta região da cidade", disse o prefeito no vídeo publicado em suas redes sociais.

Com a palavra: Secretaria Municipal de Esportes e Lazer

"A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer informa que o Complexo Pacaembu tem 78 anos e necessita de uma grande reforma que vai desde a parte elétrica (iluminação de Led, pois hoje é de sódio), modernização das instalações gerais, cabines de imprensa, construção de banheiros e, principalmente, acessibilidade.

Além disso, trata-se de um equipamento que gera despesas para a Prefeitura. Em 2017, o custo do Pacaembu no primeiro semestre foi da importância de R$ 4.051.371,29 incluindo recursos humanos. Os valores referentes ao segundo semestre serão publicados em abril de 2018. Em 2016, o custo do Pacaembu, incluindo recursos humanos, ultrapassa os R$ 8 milhões e sua arrecadação foi bem menor que isso.

Diante desse cenário, fica evidente a necessidade da concessão do Complexo Paulo Machado de Carvalho, que também inclui seu centro esportivo, à iniciativa privada. O foco principal da concessão é modernizar o estádio e desonerar a prefeitura para que ela possa focar e investir nas áreas essenciais como saúde, educação, habitação, assistência social e mobilidade.

Será lançado ainda no mês de março o edital de concessão para consulta pública e, em abril, o edital final de licitação. O objetivo da gestão é que o concessionário mantenha a vocação esportiva do equipamento que é um patrimônio da Cidade de São Paulo, mas necessita de investimentos que o equiparem a outras grandes arenas."

Motivo do apagão: Segundo nota da prefeitura, "houve um problema na cabine primária, que é um equipamento do próprio estádio. Esse problema pode ter ocorrido em razão de oscilação na rede da Eletropaulo, da energia do gerador ou ainda por uma falha do próprio equipamento". A Eletropaulo negou falha em nota: "A Eletropaulo informa que não houve problema com o fornecimento na sua rede de distribuição de energia elétrica."



Com a palavra: Fernando Trevisan, possui bacharelados em administração de empresas pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP/FGV) e em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Comanda a Trevisan Escola de Negócios, por meio do cargo de diretor geral.

Me parece que, nas mãos da iniciativa privada especializada em equipamentos e espaços de entretenimento, o Pacaembu possa ser mais viável do que na situação atual. Atualmente é um estádio ultrapassado, que perdeu espaço com as novas arenas, e que precisa arrumar uma solução. Não me parece ser a atividade-fim de uma prefeitura pensar nesse tipo de estratégia para um equipamento esportivo de alto rendimento. A missão de uma entidade governamental é fomentar o esporte, fazer políticas públicas envolvendo educação e esporte, mas não gerir um estádio. Eu concordo que o caminho interessante é a concessão, desde que com regras muito bem estabelecidas.

Há caminhos para quem for gerenciar o estádio. Primeiramente, fazer um acordo formal com o Santos, para que ele jogue mais vezes na capital, já fechando um número de jogos. Existe também uma oportunidade de acordo formal com o Palmeiras, que algumas vezes precisa deixar o seu estádio por conta de shows. O Flamengo também poderia ser chamado para fazer jogos no estádio, fechar um determinado pacote. Só aqui estamos falando em mais de 20 jogos no estádio por temporada, com três grandes times como mandantes. Já dá um valor interessante para quem estiver com o estádio nas mãos.

Uma empresa voltada para esse setor pode também pensar em outros tipos de atividades de lazer e entretenimento para a população, ainda que durante o período diurno, para que não haja problemas com a associação de moradores. Essas atividades complementariam as receitas geradas pelos jogos. Agora, para isso, precisa ter manutenção adequada, o mínimo de conforto e energia elétrica que não acabe todo jogo. Por isso, ter um foco mais empresarial na gestão do estádio pode ser mais interessante para o futuro dele."

Confira a matéria completa no portal Lance!.

   Voltar