Notícias

Bancos e fundos são os mais beneficiados com Selic menor

Publicado em: 10/04/2018
Via DCI

Num espaço de tempo de 15 meses, desde meados de outubro de 2016, o ciclo de baixa da taxa básica de juros (Selic) proporcionou um alívio para o Tesouro Nacional e beneficiou bancos, fundos de investimentos e aplicadores de ações.

Nesse período, a Selic caiu de 14,25% em outubro de 2016, para 6,75% ao ano em fevereiro de 2018, e caminha – segundo as expectativas do mercado (Pesquisa Focus) – para encerrar seu ciclo no patamar de 6,5% ao ano no próximo dia 21 de março, data de término da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).

Graças a esse movimento, o custo médio da dívida pública, caiu da faixa de 13,7% em 2016, para 9,7% em 2017, e tende a ficar na faixa de 7% em 2018. Mesmo com esse alívio, o estoque de títulos públicos no mercado deve subir de R$ 3,4 trilhões (atuais) para até R$ 3,98 trilhões em dezembro, devido à falta de superávits nas contas do governo para abater juros.

Na avaliação de economistas e especialistas consultados pelo DCI, essa redução da Selic para o menor patamar da história recente do País ajuda na rolagem da dívida pública pelo Tesouro e já resultou em ganhos de curto prazo (um ano) para o mercado financeiro local.

“Sem dúvida, os bancos são os maiores beneficiados. As instituições financeiras estão pagando muito menos para captar recursos [em CDBs e na poupança, por exemplo], e aumentaram seus spreads [prêmios em crédito] ao não reduzirem os juros nos empréstimos para pessoas físicas e pequenas empresas”, afirmou o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), Ricardo Balistiero.

De fato, o último levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças e de Contabilidade (Anefac) comprovou essa elevação dos spreads. Num exercício comparativo entre fevereiro de 2018 (Selic em 6,75%) com março de 2013, quando a taxa básica estava em 7,25% ao ano, mostrou uma elevação média de 45,73 pontos percentuais nos juros cobrados de empréstimos para pessoas físicas, e de alta de 19,5 pontos percentuais em modalidades de financiamentos para pessoas jurídicas (empresas).

“No médio e longo prazo, a tendência é essa redução dos juros chegar às pessoas físicas por causa da competição de fintechs e cooperativas de crédito”, acredita o professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, Walter Franco Lopes.

Além dos bancos, o segmento (indústria) de fundos de investimentos também se beneficiou com o ciclo de baixa da Selic, por causa do posicionamento em títulos prefixados e de inflação. Dados do boletim do Tesouro, mostram que em 12 meses até 31 de janeiro de 2018, os títulos prefixados e de inflação pagaram taxas entre 14,44% e 17,88%, enquanto a inflação ficou abaixo de 3% no período. Esses papéis mais arriscados que o título público pós-fixado Tesouro Selic, representam boa parte das carteiras em renda fixa e multimercados.

Em números brutos, o patrimônio total de fundos aplicado em títulos públicos subiu de R$ 642 bilhões (22% do total da dívida doméstica) em outubro de 2016, para R$ 930 bilhões (27,3%) em janeiro de 2018. É um crescimento de 45% no período, ou um salto de R$ 288 bilhões em patrimônio, correspondente a uma elevação de participação de 5,3 pontos percentuais na dívida pública. “Essa ida mais recente [janeiro e fevereiro] para multimercados sinaliza uma busca por melhor remuneração”, aponta o professor de economia da Trevisan.

Confira a matéria completa no site do DCI.


   Voltar